Saiba como as alterações hormonais afetam a temperatura corporal durante a menopausa
O que você vai entender neste artigo:
Ondas de calor afetam mais de 80% das mulheres na menopausa. A causa está no cérebro — não no calor externo. Em junho de 2026, a Anvisa aprovou o primeiro remédio não hormonal para fogachos no Brasil. Alguns suplementos têm evidência real para sintomas relacionados (como magnésio para o sono). Outros são puro marketing. Aqui você encontra o que a ciência diz, sem filtro.
Ondas de Calor na Menopausa: o que está acontecendo no seu corpo — e o que realmente ajuda
Eram três da manhã. O lençol estava encharcado. Você abriu a janela, o ar da noite entrou frio, e mesmo assim o calor não passou. Cinco minutos depois, veio o frio de verdade — e você ficou ali, entre o quente e o gelado, sem conseguir dormir.
Se isso soa familiar, você não está exagerando. E não está sozinha.
As ondas de calor — chamadas clinicamente de sintomas vasomotores — são o sintoma mais comum da menopausa. Afetam mais de 80% das mulheres durante a transição hormonal e podem durar, em média, de 7 a 10 anos. Em algumas mulheres, persistem por mais de uma década.
Mas o que poucos explicam é por que isso acontece — e o que, de fato, existe para ajudar.
O que são as ondas de calor: a explicação que ninguém deu pra você
Você provavelmente já ouviu que as ondas de calor são "causadas pela queda do estrogênio". Isso é verdade — mas é só metade da história.
A queda do estrogênio desregula uma região do cérebro chamada hipotálamo, que é o termostato do seu corpo. Quando o estrogênio cai, uma substância chamada neurocinina B (NKB) começa a agir de forma exagerada nos neurônios KNDy dessa região — e esses neurônios, quando superativados, disparam um sinal de "CALOR" para o corpo inteiro.
O resultado: vasos sanguíneos se dilatam na superfície da pele, você sente um calor intenso que vem de dentro, sua temperatura sobe subitamente — e logo depois vem o suor e o calafrio.
Não é psicológico. Não é exagero. É uma cascata neurológica real, com mecanismo biológico documentado.
Fonte científica: Johnson KA, et al. Efficacy and Safety of Fezolinetant in Moderate to Severe Vasomotor Symptoms Associated With Menopause: A Phase 3 RCT. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2023. PubMed PMID: 36734148
Por que algumas mulheres sofrem mais do que outras?
Nem toda mulher passa pela menopausa da mesma forma. E a ciência já identificou alguns fatores que aumentam a intensidade e a frequência das ondas de calor:
- Histórico de tabagismo — aumenta a duração dos sintomas
- Índice de massa corporal elevado — o tecido adiposo retém calor e altera a termorregulação
- Ancestralidade africana — estudos mostram maior prevalência e intensidade dos sintomas
- Estresse crônico e privação de sono — agravam a sensibilidade do hipotálamo
- Menopausa cirúrgica (retirada dos ovários) — sintomas tendem a ser mais abruptos e intensos
Um estudo brasileiro realizado entre julho e agosto de 2025 com 837 mulheres de 40 a 65 anos mostrou que 82% relataram sintomas da menopausa — e entre os mais frequentes estavam as ondas de calor (64,5%), ansiedade (59%) e insônia (47,9%).
O dado mais impactante: 45% dessas mulheres não usavam nenhum tratamento estruturado — muitas recorrendo à automedicação sem orientação.
Fonte: Estudo Menopausa no Brasil — Reds Research / HSR Specialist Researchers, 2025. medicinasa.com.br
Os tratamentos que existem: do mais eficaz ao mais debatido
Terapia Hormonal (TH): ainda é o padrão-ouro
A reposição hormonal com estrogênio — com ou sem progesterona — continua sendo o tratamento mais eficaz para ondas de calor. Uma revisão sistemática com 41 ensaios clínicos e 14.743 mulheres confirmou que os estrogênios conjugados e o estradiol transdérmico estão entre as opções com maior redução de frequência e intensidade dos sintomas.
A terapia hormonal não é mais tratada como vilã pela comunidade médica. O que mudou foi a abordagem: hoje o tratamento é individualizado, considerando o perfil de risco de cada mulher — histórico familiar, pressão arterial, coagulação, tempo de menopausa.
Mas ela não é para todas. Mulheres com histórico de câncer hormônio-dependente, trombose, AVC ou infarto têm contraindicação. E é justamente para esse grupo que surgiu a novidade mais importante de 2025 no Brasil.
Fonte: Pharmacological Treatments for Menopausal Vasomotor Symptoms: A Systematic Review and Bayesian Network Meta-Analysis. PubMed, 2025. PMID: 40592206
O novo remédio sem hormônio aprovado pela Anvisa
Em 22 de junho de 2026, a Anvisa aprovou o fezolinetant (Veoza) — o primeiro medicamento não hormonal com indicação específica para ondas de calor moderadas a intensas na menopausa aprovado no Brasil.
Como ele funciona? Diferente da reposição hormonal, o fezolinetant não repõe estrogênio. Ele age diretamente no cérebro, bloqueando os receptores de neurocinina 3 (NK3R) — os mesmos que são ativados de forma exagerada quando o estrogênio cai. Sem esse sinal exagerado, o hipotálamo para de disparar os episódios de calor.
Uma meta-análise de 2025 que reuniu 6 estudos com 3.657 pacientes mostrou que o fezolinetant reduziu significativamente a frequência das ondas de calor em 4 semanas (Cohen's d = -0,56; P < 0,001) e em 12 semanas, com perfil de segurança similar ao placebo.
Importante: isso não significa que toda mulher com contraindicação ao hormônio seja candidata automática ao Veoza. A indicação precisa ser feita por médico, após avaliação individual.
Fonte 1: Efficacy and safety of fezolinetant for vasomotor symptoms in postmenopausal women: a comprehensive systematic review and meta-analysis. PubMed, 2025. PMID: 40557213
Fonte 2: Efficacy and safety of fezolinetant for moderate-severe vasomotor symptoms — Phase 3b RCT. BMJ, 2024. doi: 10.1136/bmj-2024-079525
Opções não hormonais: o que tem evidência — e o que não tem
Antes do fezolinetant, existiam outras opções não hormonais utilizadas por médicos para mulheres com contraindicação à TH. Veja o panorama honesto:
| Opção | Evidência | Observação |
|---|---|---|
| SSRIs/SNRIs (paroxetina, venlafaxina) | ✅ Moderada | Redução de até 60% nos fogachos. Aprovados para esse uso nos EUA |
| Gabapentina | ✅ Moderada | Mais eficaz à noite. Causa sedação |
| Clonidina | ⚠️ Baixa | Benefício modesto, efeitos colaterais relevantes |
| Isoflavonas de soja | ⚠️ Mista | Resultados inconsistentes entre estudos |
| Black cohosh | ⚠️ Controversa | Sem consenso científico robusto |
| Acupuntura | ⚠️ Baixa a moderada | Pode ajudar no bem-estar geral |
Fonte: Nonhormonal Treatment of Vasomotor Symptoms of Menopause. PubMed, 2025. PMID: 40047411
O que os suplementos podem (e não podem) fazer
Aqui está a parte onde a internet mais desinforma.
Suplementos não tratam ondas de calor com a mesma eficácia da terapia hormonal ou do fezolinetant. Ponto. Mas alguns têm papel real em sintomas associados — e é importante saber distinguir.
Magnésio: o mais estudado para o sono e a ansiedade
O magnésio participa de mais de 300 processos metabólicos, incluindo a regulação do sistema nervoso. Na menopausa, onde insônia e ansiedade são companheiras frequentes das ondas de calor, a suplementação tem base científica.
Meta-análises mostram que o magnésio pode reduzir modestamente os sintomas de ansiedade e melhorar a qualidade do sono em mulheres mais velhas — inclusive a velocidade para adormecer e a gravidade da insônia.
Ele não vai eliminar seus fogachos. Mas pode quebrar o ciclo vicioso: calor → acorda de madrugada → ansiedade → mais dificuldade para dormir.
O Magnésio 1400mg da 7farma foi formulado em dose terapêutica para esse contexto.
Fonte: G1 / The Conversation Brasil — O que a ciência diz sobre suplementos para a menopausa. Maio 2026. g1.globo.com
Vitamina D3: deficiência silenciosa que piora tudo
A queda do estrogênio reduz a absorção de cálcio e compromete a saúde óssea. A vitamina D é fundamental para que o cálcio seja absorvido — e a deficiência é altíssima entre mulheres brasileiras acima dos 40 anos.
Mas além dos ossos, a vitamina D tem receptores no hipotálamo e em áreas ligadas ao humor e ao sono. Manter níveis adequados é parte do cuidado nessa fase.
O Vitamina D3 + VitC + Zinco da 7farma combina os três nutrientes que atuam em sinergia.
Creatina: promessas maiores do que as evidências
Em junho de 2025, a Folha de S. Paulo publicou uma análise questionando as promessas das influenciadoras sobre creatina na menopausa: a suplementação tem base em manutenção de massa muscular, mas as alegações de que "resolve" sintomas hormonais não têm respaldo científico robusto.
A creatina pode ser útil para mulheres que praticam exercício de força — contexto em que a perda muscular acelerada pela queda de estrogênio é real. Mas não substitui tratamento médico.
Colágeno e Ômega-3: suporte estrutural com evidências reais
A queda de estrogênio reduz em cerca de 30% a produção de colágeno nos primeiros 5 anos da menopausa — o que impacta pele, articulações e ossos. A suplementação com Colágeno Tipo I e III + VitC apoia a reposição desta estrutura proteica.
O Ômega 3 EPA+DHA, por sua vez, tem evidências em inflamação sistêmica e saúde cardiovascular — um cuidado importante, já que o risco cardiovascular aumenta após a menopausa.
O que a ciência ainda não sabe
Honestidade é parte do nosso compromisso:
- Duração ideal da suplementação na menopausa ainda não tem consenso
- Interação entre suplementos e terapia hormonal é pouco estudada
- Eficácia do fezolinetant a longo prazo (além de 52 semanas) ainda está sendo investigada
- Qual perfil de mulher se beneficia mais de cada abordagem não hormonal — os estudos ainda usam populações muito homogêneas
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FAQ — Perguntas que mulheres reais fazem
1. Quanto tempo duram as ondas de calor? Em média de 7 a 10 anos, mas podem persistir por mais tempo. Estudos mostram que mulheres que entram na menopausa antes dos 45 anos tendem a ter sintomas por mais tempo.
2. O fezolinetant (Veoza) já está disponível no Brasil? Foi aprovado pela Anvisa em junho de 2025, mas a disponibilidade nas farmácias depende da distribuição pelo fabricante (Astellas). Consulte seu médico para verificar.
3. Posso tomar magnésio junto com a terapia hormonal? Em geral sim, mas sempre consulte seu médico ou farmacêutico, pois a interação depende do tipo de terapia e da dose de magnésio.
4. Suplementos de soja ajudam nos fogachos? As isoflavonas de soja têm resultados mistos nos estudos. Algumas mulheres relatam melhora; outras não respondem. A evidência não é forte o suficiente para recomendar como tratamento principal.
5. Menopausa precoce tem tratamento diferente? Sim. Mulheres com menopausa antes dos 40 anos (menopausa prematura) têm recomendações específicas da FEBRASGO e geralmente precisam de terapia hormonal até os 50 anos. Procure um ginecologista especializado.
6. O que diferencia perimenopausa de menopausa? A perimenopausa é a transição — quando os ciclos ficam irregulares e os hormônios flutuam. A menopausa é confirmada após 12 meses consecutivos sem menstruação. Os sintomas podem ser intensos nos dois períodos.
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Referências científicas
- Johnson KA, et al. Efficacy and Safety of Fezolinetant in Moderate to Severe Vasomotor Symptoms. J Clin Endocrinol Metab, 2023. doi: 10.1210/clinem/dgad058
- Pharmacological Treatments for Menopausal Vasomotor Symptoms: A Systematic Review and Bayesian Network Meta-Analysis. PubMed, 2025. PMID: 40592206
- Efficacy and safety of fezolinetant for vasomotor symptoms — systematic review and meta-analysis. PubMed, 2025. PMID: 40557213
- Schaudig K, et al. Fezolinetant for moderate-severe VMS — Phase 3b RCT. BMJ, 2024. doi: 10.1136/bmj-2024-079525
- Nonhormonal Treatment of Vasomotor Symptoms of Menopause. PubMed, 2025. PMID: 40047411
- Huang A, et al. Nonhormonal Treatment of Menopausal Vasomotor Symptoms. JAMA Intern Med, 2025. doi: 10.1001/jamainternmed.2025.0990
- Estudo Menopausa no Brasil — Reds Research / HSR, 2025. medicinasa.com.br
- Advances in Pharmacotherapy for Menopausal Vasomotor Symptoms. Drugs / PMC, 2025. PMC12572072

